A liderança é um baléData de publicação: 02/07/2018

A liderança é um balé

Antes que possa julgar o conteúdo do texto por conta do tema, te peço que descarte qualquer preconceito que possa ter, pois a liderança pode ser comparada a diversas coisas e ações por meio de metáforas. Essa é uma boa técnica para ajudar a desmistificar o papel do líder que muitas vezes é ilustrado como um bicho de sete cabeças ou um enigma difícil de decifrar. Em seu livro “Os Segredos do Líder Coach”, a doutora em Psicologia Marcela Claro faz a seguinte analogia:

Ser líder é como ser uma bailarina clássica. É fundamental gostar de dançar para se tornar uma delas, o que envolve detalhes minuciosos e técnica (contar os passos, ouvir os sons, perceber o espaço, confiar no companheiro, superar o medo). Enfim, treinar, treinar, treinar”. Pág. 69

Gostaria de destrinchar um pouco essa citação, colocando aqui cinco pontos resumidos que certamente possuem espaço para longos debates.

Contar os passos- Obviamente este ponto, como os demais, não serão levados ao seu sentido literal. Contar os passos é algo imprescindível para a perfeita execução do balé. Em liderança eu traduziria a palavras PASSOS como planejamento e estudo. Aquele que deseja liderar deve antes de tudo estar continuamente se preparando para isso. Estudando, buscando conselhos, corrigindo falhas, aperfeiçoando técnicas e principalmente planejando (que é o que dará sustentação e controle aos demais passos). Assim como a bailarina precisa constantemente ter controle da quantidade de passos, o líder necessita estar a par de tudo o que deve fazer para chegar aos seus objetivos.

Ouvir os sons – A música é feita de melodia, ritmos, tempos e até de silêncios. São esses elementos que ditarão os movimentos da bailarina clássica, fazendo que dança e música tornem-se um só. Na liderança, o ouvir é uma das mais importantes capacidades. Saber OUVIR os pares e os liderados é melhor do que falar-lhes. Quantas pessoas passaram a ter plena confiança em seus líderes apenas pelo simples ato de terem recebido a oportunidade de falar-lhes? Quantos líderes aprenderam mais de suas atribuições e de seus liderados apenas se deixando ouvir? A resposta é com certeza incalculável. Assim como a música, a liderança também é feita de silêncio. Muitas vezes calar-se é o mais sensato e sábio ato de liderar.

Perceber o espaço – A bailarina tem um palco inteiro ao seu dispor para executar tudo o que tem ensaiado, mas é possível que ao chegar ao local, seja necessário modificar alguns passos devido à falta de espaço. Talvez o palco seja pequeno demais ou grande demais. Assim ela precisa saber se deve encurtar ou prolongar cada uma das execuções a serem feitas. Do mesmo modo, quando recebemos a liderança, precisamos perceber o que e quem está à nossa disposição. Precisamos buscar saber ATÉ ONDE podemos ir e sobre o que devemos agir. Conhecendo a nossa esfera de atuação, o pessoal à nossa disposição e os limites de nossa autoridade, reduziremos drasticamente a margem de erro em nossa liderança.

Confiar no companheiro – Quem já assistiu alguma apresentação de balé clássico sabe que se não houvesse uma forte confiança entre os dois, aquelas manobras jamais seriam executadas. Afinal, uma bailarina não tem motivo para deixar que alguém em quem não se confie a jogue no ar por diversas vezes. Reflita para si mesmo e responda se é possível liderar uma equipe de pessoas em que você não confia e vice e versa. Se a relação de CONFIANÇA mútua não for construída no processo de liderar, sérios problemas certamente virão. Confiança é pedra angular de qualquer relação e isso não é diferente quando se trata de liderança.

Superar o medo – As acrobacias do balé clássico são desafiadoras e mesmo as que parecem muitos simples requerem muita concentração e equilíbrio. Sentir medo não é problema (nesse caso e em todos os outros), ceder a ele sim. Uma velha frase clichê (mas não falsa) diz que coragem não significa ausência de medo e sim a capacidade de vencê-lo. Quando em sua liderança você se deparar com um desafio ou mesmo com pessoas que estejam tentando desencorajá-lo, lembre-se que o medo não é uma corrente que te prende e sim um obstáculo a ser superado. Saiba quais são os PASSOS a serem dados, saiba OUVIR e ATÉ ONDE você deve e pode ir, estabeleça uma relação de CONFIANÇA com sua equipe, e assim a SUPERAÇÃO de todo e qualquer medo em sua liderança virá, não com facilidade, mas com toda certeza.

Por fim, exercer bem a liderança não é um privilégio de quem já nasce com esse dom. Como é dito no fim da citação de Marcela Claro, “treinar, treinar, treinar”. Se você se dispõe a fazer este esforço, certamente será um excelente líder. Por último, mas extremamente importante, a autora afirma que para ser uma bailarina clássica é necessário “gostar de dançar”. Você gosta de liderar?

Sugestão de Leitura: Os Segredos do Líder Coach. Marcela Claro. 2013. Trevisan Editora (R$31,40)

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Coordenador Regional | MBN /ULB