Chega de preguiça, vamos criar!Data de publicação: 31/10/2018

Chega de preguiça, vamos criar!

Vamos combinar algo? É o seguinte: Nas próximas linhas eu farei com que você minta para si mesmo. Irei fazer uma pergunta e sua parte no acordo é responder para si mesmo imediatamente. Tudo certo? Então me responda, por favor: Você é uma pessoa criativa? Se respondeu que não, você mentiu. Mesmo que esteja tentando negar isso e discordando de mim, sua resposta foi totalmente errada, mas não se preocupe, você não mentiu intencionalmente, pois é bem provável que não tenha conhecimento de uma constatação muito simples: todas as pessoas são criativas. Quando eu digo todas, estou me referindo a todas as pessoas do mundo – com exceção daqueles que tenham impedimentos relacionados à saúde ou necessidades especiais, que prejudicam ou nulificam o raciocínio.

Mas, parafraseando René Descartes: penso, logo crio. Mas o que é criatividade? Muitas são as definições, mas a maioria delas concorda que criatividade é, obviamente, a capacidade nata de criar. Essa habilidade potencial está presente em todo ser humano, seja para criar uma receita, uma forma de economizar na conta de luz, se adaptar a uma situação, resolver um pequeno problema doméstico, fazer um nó de uma forma mais rápida, compor uma música, contar uma história, vender um produto, etc. Toda nova forma de fazer qualquer coisa é fruto de criatividade. A palavra tem origem no latim creatus, com sua forma no verbo infinitivo creare que corresponde a criar na língua portuguesa.

Em Gênesis 1:26, o Senhor Deus reúne os demais membros da Trindade “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, e me perdoem por este delírio, mas tenho convicção de que parte de nossa semelhança com o criador está na habilidade criativa. Mas, se é assim, por que algumas (muitas) pessoas não se consideram criativas? O que acontece com um mecanismo que não é utilizado e nem lubrificado? E com uma porta que passa anos sem ser aberta? E com seus músculos quando você passa muito tempo sem fazer exercícios? Assim é a criatividade, como um mecanismo, uma porta, como um músculo. Se ela não for utilizada, aberta e exercitada, vai enferrujar, emperrar e atrofiar.

Desperte essa capacidade nem que seja jogando um balde de água fria nela. Certamente você terá dificuldades para ter novas ideias quando tomar essa atitude, da mesma forma que seu corpo sofre quando você decide sair da preguiça de se exercitar, mas: ei! Teu corpo não vai ficar em forma se você não o puser para trabalhar e a mesma coisa é a tua habilidade criativa, pois ela precisa de atividade: criar + atividade = criatividade. Mas e então? O que fazer para tirar você desse sedentarismo criativo? O que faz com que você chegue a acreditar que esse dom não existe em você? Deixar o serviço para os outros sempre que surge a necessidade de criar algo – seja o que for – é um agente atrofiador de sua criatividade. Quando o papel de fazer algo é legado a você e sua primeira atitude é recorrer a alguém “mais” criativo sem ao menos tentar é uma oportunidade perdida de exercitar suas habilidades. Não é a atitude de passar a função para alguém com mais experiência ou mais habilitado que está errada, e sim o ato de sempre fazer isso sem tentativa alguma. Outro fator que causará a inanição de suas ideias é o comportamento de fotocopiadora.

Se você se acostumou a cada vez que tem a responsabilidade de criar, recorrer ao Google ou ao Youtube para pescar ideias alheias e simplesmente copiá-las, sua criatividade está sendo atrofiada e acostumada a depender de ideias alheias para parasitar. Se vai copiar, que seja para mudar alguma coisa e para melhor. Outro veneno é a constante reutilização das mesmas ideias, próprias ou não, remodeladas ou não. Quando isto é feito, seu curso criativo é bloqueado e você está dizendo ao seu cérebro para não tentar criar mais nada. Reutilização, reinvenção e reciclagem de ideias são recursos aceitáveis, mas não permanentes. Devem ser utilizados quando há necessidade urgente e não como cotidiano, pois chega o tempo em que todo mundo já terá visto tudo o que você tem para mostrar. Se há tempo, pessoal, recursos e capacidade, por que não criar?

Realmente há pessoas que tem mais facilidade criativa do que outras, mas isso não significa que pessoas menos capacitadas não tenham criatividade, pois essa habilidade não é estanque a um nicho de atuação, ela tem capilaridade infinita. Toda e qualquer ideia, de qualquer segmento nasce de um pensamento criativo. Mas como é possível exercitar a criatividade? Basta olhar em volta e perceber alguma coisa que necessite de melhoria. Utilize a sua insatisfação, o seu incômodo com as situações que lhe são apresentadas para despertar suas ideias. Como você faria? Você já fez de outra maneira? Como isso pode ser diminuído, desonerado, melhorado, agilizado? Qual a sua necessidade no momento? Essas pequenas indagações e a ação para respondê-las são o melhor exercício para tonificar a sua criatividade, são o melhor óleo lubrificante para a máquina potente que existe em sua cabeça. Você é uma pessoa criativa, só precisa levantar da cadeira e girar a chave.  

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Coordenador Regional | MBN /ULB