MurmuraçõesData de publicação: 07/06/2020

Murmurações

Anteriormente, em A Saga de Números, você testemunhou a organização da saída de Israel do sopé do monte Sinai e a necessidade de se ter pessoas talentosas ao lado de Moisés. A jornada começou e agora os incômodos se transformam em problemas.

 

Após três dias de viagem, a multidão começou a causar problemas. Não eram brigas, mas causas a serem julgadas e transgressões da Lei de Deus. Depois de um bom tempo acampado aos pés do monte Sinai, o povo precisou retomar a marcha levando seus bens, o santuário e seus utensílios e tudo o que houvessem conservado ou acumulado. Onde há seres humanos, há também conflitos e aquele povo que já havia testemunhado tantos e tantos milagres, prodígios e castigos não havia aprendido a se colocar sob a tutela do Senhor. Estavam murmurando.

É compreensível que se incomodassem com o cansaço, os perigos e o desconforto. Certamente Deus não se importaria com tais reclamações, mas os hebreus estavam sentindo saudade do Egito, estavam lembrando-se das panelas de carne, cebolas e alhos que comiam à vontade no tempo da opressão (Números 11;4-7). Verbalizavam em outras palavras que seria melhor permanecer escravos no Egito, trocando sua liberdade por um prato de comida. Não confiaram na promessa de um lugar melhor com uma vida mil vezes melhor. “É pela falta de sepulturas no Egito que você nos trouxe para morrer no deserto, Moisés?”, “quem nos dará de comer?”, “quem nos dará carne?”, “temos saudade dos peixe, dos melões e pepinos que comíamos de graça no Egito”. Todas essas murmurações eram ouvidas por Moisés e tudo se traduzia da seguinte maneira: Era melhor viver como escravo e ter comida de graça.

Quantas vezes você, líder, ouviu reclamações de seus liderados sobre outros clubes fazerem coisas que alegram seus membros enquanto vocês têm poucas atividades?

Peço que não entenda este paralelo de forma espiritual, como ele é comumente aplicado nos sermões e textos mais corriqueiros. Não estou focando aqui na saudade que os hebreus sentiam do Egito, mas nas suas reclamações, pois eu quero te dizer algo muito importante e perturbadoramente real: você sempre vai encarar reclamações, murmurações e cobranças em sua liderança. Sempre ouvirá comparações, às vezes justas e às vezes absurdas, enquanto estiver à frente de seu grupo. Me perdoe por te assustar, mas na maioria das vezes, esses problemas vão partir dos membros da direção.

Para muitos que agora estão lendo, isso não é uma novidade e sim uma vivência. Você, que provavelmente tem muito mais experiência que eu, está concordando comigo. Talvez você seja um aspirante a líder, ou alguém que almeja cargos de diretoria e, que sem experiência nenhuma, gaba-se dizendo que com você seria diferente. Rogo que seja. Não que sua liderança seja livre desses problemas, pois não vai ser, mas rogo que você tenha sabedoria e discernimento para lidar com isso. Do contrário, a situação só vai piorar. É provável que você seja um teologando de primeiro ou segundo semestre que acredita piamente que as igrejas que você vai dirigir andarão na linha sob seu pastorado. Não sou pastor, mas sinto em dizer que não vai, embora eu também rogue a Deus que você consiga administrar muito bem todos os obstáculos que vão surgir.

Não tenho uma lição para você nesse texto, trago apenas essa advertência: você vai enfrentar murmurações, elas virão inevitavelmente de desbravadores, de seus pais ou responsáveis, do ancionato e, principalmente, de tua direção. Você precisa é se preparar para esse momento iminente. Dirigir um clube é (em escala menor) como andar com Israel pelo deserto. E o teu Israel vai reclamar e olhar para a comida oferecida pelo mundo em troca de opressão. Por isso, deixo o conselho: estude, leia, busque conselhos, ore e mantenha sua comunhão com Deus pedindo capacitação para liderar.

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Conselheiro no Clube Arautos da Fé ABN/ULB