Não negligencie sua liderança!Data de publicação: 10/04/2018

Não negligencie sua liderança!

Você já ouviu falar na expressão laissez faire? Ela vem do francês "deixar fazer" e originalmente simboliza o liberalismo econômico, defendendo que o mercado deve funcionar livremente, sem interferência, apenas com regulamentos suficientes para proteger os direitos de propriedade. Mas esta expressão foi, por assim dizer, sequestrada pelo âmbito da liderança e gerenciamento, onde é utilizada para definir a forma de chefia em que o líder deixa seus subordinados à vontade para fazer escolhas, sem quase nunca exercer autoridade. Em algumas situações isso é um desastre anunciado.

Imagine que você tem uma equipe formada apenas de pessoas experientes, com as quais você tem um bom tempo de convivência e conhece bem os estilos de trabalho. Com certeza, nesse grupo há aquela pessoa que precisa apenas saber o quê e quando fazer e tudo sairá bem, na mais perfeita ordem do planejado. Também há aqueles que necessitarão que você oriente mais de uma ou duas vezes a respeito de seu papel, bem como há os que você precisará estar ao lado do começo ao fim da atividade. É possível que um estilo de liderança laissez faire funcione nesse grupo se aplicado de forma generalizada? Não. Quanto à pessoa que é bastante experiente, sabe fazer muito bem o que faz e quase não comete erros, é saudável deixá-la à vontade e sem supervisão? Também não.

Todos os membros da direção do Clube conhecem muito bem suas atribuições e de fato não é necessário que os membros da diretoria estejam lhe refrescando a memória a cada semana. Quando há uma delegação de funções em determinado projeto, não há a necessidade de quem lidera pegar na mão de cada um para que dê conta de sua responsabilidade. Fato. Mas, deixar que tudo flua sem a interferência necessária e sem supervisão é negligenciar o papel de líder. Isso, no mundo dos negócios se chama subgerenciamento, mas pode muito bem ser aplicado ao nosso conceito de liderar.

Há muitas pessoas que agem dessa forma. Preocupam-se demais em exercer suas autoridades, não acompanham o que acontece dentro de seus clubes, mas, decidem tomar partido da situação somente quando as falhas acontecem. Não averiguam como está o andamento das coisas, acompanham o problema de longe, mas estão prontos para repreender no primeiro erro. Ou pior, tentam controlar a situação quando já não há mais maneiras e fazê-lo sem que alguém saia prejudicado.

Muitas pessoas preferem não se envolver para manter a imagem de líder legal, pensando que assim serão mais amadas e terão o carinho e admiração de seus liderados. Porém, quando há necessidade de se posicionar, quando a decisão em determinado problema que criou raízes desagrada uma parte ou outra, a imagem de bonzinho desmorona e após resolver, quando todos estão abalados e desconfortáveis, o líder volta ao seu alto e sublime trono de negligência, sentindo que gerenciou bem e passa a esperar outro momento de crise para deixar novamente de ser o cara legal e mais uma vez assumir de verdade a parte que lhe corresponde.

Não há como escapar da parte de gerenciamento quando nosso papel na liderança é o de cabeça. Dar ordens, delegar funções, assumir responsabilidades, corrigir falhas são ações inerentes, bem como monitorar o andamento das coisas, que infelizmente é parte mais negligenciada. Não estou dizendo que você deve vigiar cada passo de seus subordinados, mas é fato notório que “quase todo mundo tem um desempenho melhor quando recebe mais orientações, instruções e apoio de alguém mais experiente”¹. Portanto, ao treinar alguém, ao atribuir uma tarefa a um subordinado, transmita-lhe o máximo de informações possíveis que possam efetivamente possibilitar o sucesso. Diga exatamente o que deseja que a pessoa execute, não o deixe ter que adivinhar ou supor.

Esteja perto, faça-se presente, gaste alguns minutos para conversar com cada membro de sua direção. Coloque-se à disposição para responder, tirar dúvidas e resolver problemas ainda em suas raízes. Se você se importar em acompanhar o andamento das atividades delegadas, pedindo pequenos relatórios do progresso e dando o feedback necessário, além de estar inteirado e pronto para sanar qualquer contratempo que surja, terá também o respeito e a colaboração de seus liderados que se sentirão protegidos e amparados. Mas experimente cair no erro do subgerenciamento e entrar em cena somente quando for necessário corrigir ou repreender e você verá seu prestígio como líder cair e a confiança que teus subordinados te votavam trincar.

Liderar não é só exercer autoridade. Acompanhar não é pegar no pé. A liberdade de ação para cumprir uma missão delegada é essencial, mas isso não quer dizer que não deve haver supervisão. E isso, estimado(a) líder, é uma atribuição sua.

¹Sugestão de Leitura: Não Tenha Medo de Ser Chefe, Bruce Tulgan. Editora Sextante. (R$29,90)

Apesar de ser um livro voltado ao gerenciamento de negócios, há muitas lições que podem ser adaptadas para a liderança. Este texto foi baseado em seu primeiro capítulo.

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Coordenador Regional | MBN /ULB