O MentorData de publicação: 22/05/2020

O Mentor

Anteriormente em A Saga de Números: o povo passou a ser guiado também por meio de duas trombetas de prata e se retirou, depois de muito tempo, dos pés do monte Sinai. A comunicação em nossos clubes e até a logística de saída e entrada dos eventos seguem um padrão bíblico. Mas, e quando a incerteza nos surpreende em nossa liderança?

 

Onze dias de jornada estavam pela frente entre o Sinai e Cades. O povo terias que enfrentar barrancos, montanhas, deserto e muitos outros perigos. Apesar da presença contínua de Deus na coluna de nuvem de fogo, o povo hebreu temia. Moisés também temia, mas não o deserto e sim o fardo que carregava desde a sua saída do Egito. É fato notório e quase unânime que Moisés foi um dos maiores líderes que já pisaram nessa terra, que sua capacidade de administração e discernimento de justiça eram estupendamente incríveis. Sua paciência e mansidão são exemplo para todas as pessoas que se aventuram na liderança. Mas todos os líderes necessitam de apoio, de mentores. Moisés tinha os seus.

Apesar de seu relacionamento íntimo com Deus e do poder do qual era portador, Moisés não tinha habilidade com oratória e por isso Arão falava em seu lugar. Podemos dizer que seu irmão mais velho era o seu mentor nesse aspecto. O mentor não necessariamente lidera, sua função é aconselhar, guiar, instruir alguém em uma área na qual possui mais experiência e Moisés tinha os seus. Seu irmão o ajudava no falar e seu sogro, Jetro (também chamado Reuel) lhe prestou conselhos quanto à divisão de tarefas. Mas não é sobre nenhum deles que falaremos.

Hobabe, filho de Jetro (Números 10:29) e cunhado de Moisés, não é mais citado na Palavra a não ser neste momento de saída do sopé do monte Sinai. O nome Hobabe significa “querido” e é bastante perceptível que ele fosse muito estimado por Moisés, pois ele o convidou para seguir viagem e ter parte nas bênçãos prometidas por Deus. O homem respondeu que iria voltar à sua parentela, mas Moisés insistiu para que ele seguisse em marcha com toda a grande multidão, repetiu que ele seria abençoado junto com o povo e justificou outro motivo para a presença de Hobabe na viagem: ele conhecia a região.

Moisés precisava de um mentor a respeito daquele caminho perigoso cheio de valados, covas e barrancos. Muitos dos presentes eram homens habilidosos, mas Hobabe seria o batedor, o guia, praticamente os olhos de todos os hebreus naquele caminho. Ele conhecia a trilha e poderia ser de grande ajuda. A Bíblia não nos dá certeza se o convite de Moisés foi aceito por seu cunhado; podemos supor que sim, pois um fato como este não seria narrado - merecendo um subtítulo, inclusive – se não tivesse em si importância. Mas, se havia a presença de Deus na nuvem e no fogo, qual seria a necessidade da destreza de um guia?

No versículo 33, do mesmo capítulo, vemos que a arca seguia na frente do povo com uma distância de três dias de marcha para postar-se no lugar onde todos deveriam acampar. A nuvem dizia a Israel o momento de sair, quando e onde parar, servia de alento durante o dia e de luz à noite, mas não mostrava propriamente o caminho. Hobabe foi chamado para seguir com o povo hebreu, mas não para apenas ver e andar e sim para agir e trabalhar mediante seus talentos. Moisés, grande líder, cheio de qualidades e, sabedoria em poder, necessitava naquele momento de um mentor, alguém que pudesse lhe inspirar e ajudar, alguém que dispusesse de habilidades que lhe faltavam.

Às vezes nos tornamos vaidosos por conta de nossa posição na hierarquia e alicerçados em nossa experiência chegamos a ser tomados por um espírito de autossuficiência. Nosso bolso cheio de distintivos e nossa faixa abarrotada de insígnias parecem ser uma boa desculpa para pensar que nos bastamos. Moisés falava face a face com Deus, poderia declarar-se totalmente independente e, dizer a seu cunhado que ele poderia ir para sua casa, pois não havia necessidade dele ali. Mas o grande líder sabia primeiramente de si, de suas limitações e de sua necessidade de mentores. Sabia principalmente que não sabia de tudo e é com essa paráfrase de Sócrates que eu afirmo: cultive laços com seus mentores, pois sua autoridade, seu lenço, seu diploma e, sua ordenação jamais serão maiores do que ninguém.

Aconselhe-se com os seus antigos diretores, regionais e orientadores. Faça o mesmo com pessoas sábias que sejam estrangeiras à nação do lenço, “retenha o que é bom”. Cerque-se de quem sabe sobre coisas que você não sabe, mas certamente precisa. Moisés precisou de um guia no deserto. E você precisa de quê?

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Conselheiro no Clube Arautos da Fé ABN/ULB