O peso da liderançaData de publicação: 20/06/2020

O peso da liderança

Anteriormente em “A Saga de Números“, você acompanhou reflexões sobre a organização hebreia durante a saída do monte Sinai e como Hobabe foi convidado para servir de guia ao povo. O povo começou a murmurar, mas isso é comum quando se lidera. Mais problemas estavam por vir.

 

É comum entre as histórias bíblicas encontrar relatos de alguém que enfrentou dificuldades emocionais que vão desde o desânimo até à depressão. Elias esteve deprimido, Jonas revoltou-se com a benevolência do Senhor e Moisés, mesmo após ter estado na presença de Deus, sentiu-se desanimado, humilhado e rejeitado pelo povo. Chegou ao ponto de pedir a morte. O povo chorava com suas famílias. Cada um na porta de sua tenda se perguntava: “quem nos dará carne para comer?” (Números 11:4) mesmo tendo comida em abundância, sem nenhuma real necessidade.

A ingratidão do povo pesava sobre os ombros do líder e ofendia ao Senhor. Jeová irou-se contra aquele povo e isto incomodou a Moisés de tal forma que ele se dirigiu a Deus para questionar iradamente. Questionou de uma maneira que soaria desrespeitosa, não fosse a grande intimidade que havia entre os dois.

Em palavras atuais, de forma coloquial, é como se Moisés tivesse dito o seguinte (Números 11:11-15):

“Por que está fazendo isso comigo? O que foi que eu fiz para o Senhor jogar esse povo nas minhas costas? Eu sou o pai deles? Foi eu quem pariu todo mundo para que você me peça para levar todos no colo até a terra que prometeu? Me diz como vou dar carne para eles?! Estão aí me pedindo carne! Eu sou um só! Não posso cuidar de todo o povo, pois é gente demais! Se vai me tratar desse jeito, me mate, por favor. Se você me ama, de verdade, me mate logo pra que eu não prossiga vendo essa miséria.”

Moisés havia chegado ao seu limite de estresse emocional e já não suportava mais liderar. Sua fé e comunhão com Deus não excluíram a sua humanidade e fraquezas. Ele precisava de um tempo, de descanso, de alívio, de ajuda. Se alguém como Moisés (manso como era) chegou ao ponto de pedir a própria morte por não suportar o fardo de liderar um povo irascível, imagine nós, nos dias de hoje.

Eu sei que você, muitas ou poucas vezes, chegou ao ponto de querer deixar tudo para trás e largar seu lenço. Eu te digo que não é nenhum erro ou pecado. É normal se sentir assim e isso não te diminui como líder. Certamente você também teve que ouvir de alguns irmãos que teu desânimo é falta de fé, mas olhe aqui: tuas dores importam para Deus. Você não precisa provar ou justificar nada para quem vive de usar a fé como instrumento de vaidade e fidelidade presunçosas. É importante contar esse capítulo da história de Moisés para que nós que exercemos liderança saibamos que somos limitados e que é absolutamente normal ocasionalmente se desanimar.

Bono Voice certa vez escreveu uma canção que traz um ensinamento de seu pai: “às vezes você não pode fazer isso sozinho” e todos nós devemos tomar isso como uma verdade. Nem sempre seremos capazes de carregar o fardo. Uma vez ou outra, precisaremos admitir que não somos capazes de tudo e tirar nossa armadura. Não há fraqueza nisso, mas sim grandeza. Reconhecer-se.

Quanto a você, que lidera de forma secundária, que tem outros cargos dentro do clube, entenda que a diretoria ou a coordenação são formadas por pessoas limitadas como você e que precisam de alguém para dividir a carga pesada da liderança. Então, por favor, faça o que tem de ser feito. Cumpra suas funções e não seja um peso a mais nos ombros de quem te lidera. Colabore fazendo sua parte, pois talvez a tristeza que o teu líder sente por fracassar, venha do cansaço de liderar quem não coopera.

Contribua: faça sua parte.

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Conselheiro no Clube Arautos da Fé ABN/ULB