O povo se retiraData de publicação: 01/05/2020

O povo se retira

Anteriormente em A Saga de Números
Israel estava acampado a muito tempo no primeiro local de parada no deserto e duas trombetas de prata haviam sido feitas para a comunicação com o povo. Agora é chegada a hora de sair.

O povo havia saído do Egito, passado por duras provas, visto muitos sinais, entre ele o mais magnífico de todos: O monte Sinais tremendo, e, chamas, soltando fumaça, vozes e trovões. Rebeliões haviam acontecido e suas punições justamente aplicadas. Muito tempo havia se passado e talvez o povo hebreu tenha começado a acreditar que ficariam aos pés do Sinai para sempre, ainda que essa não fosse a promessa. Acostumaram-se a estar ali, pois apesar de toda a sua desobediência estavam contemplando a coluna de nuvem que era a garantia da proteção divina. Mas chegou a hora de sair daquele lugar.
Com medo e dúvida eles viram a nuvem se erguer, o que indicava o momento de levantar acampamento e seguir na direção que Deus apontasse, e daquela vez era para o deserto de Cades, distante dali apenas onze dias de marcha. “O cenário [do Sinai] estava tão associado com a presença de Deus e dos santos anjos que parecia muito sagrado para que fosse deixado para trás com certa indiferença ou mesmo com alegria” (WHITE, 2019). Cades ficava para o oriente de onde eles estavam e quando Deus apontou para a direção em que eles viam apenas uma cadeia de montanhas sob densas nuvens, o medo foi inevitável. Mas essa história não é somente sobre confiança.

Milhões de pessoas estavam acampadas ali e agora precisavam se retirar após levantar acampamento. Isso não podia ser feito de qualquer maneira, seria um caos total se todos pudessem escolher o momento, o modo e a direção por onde deixar o Sinai. Deus é um Deus de ordem e com ordem tudo deveria ser feito. As trombetas haviam sido feitas para os chamados de festa, reuniões, guerras e para este momento. Haviam toques distintos para determinar a saída das tribos e tudo foi feito dessa forma, em Números 10:11 a 28 temos a descrição da ordem da saída dos povos do acampamento.

Eles se puseram em marcha pela primeira vez e assim saíram: primeiro Judá, seguido de Issacar, Zebulom, Rúbem, Simeão, Gade, Efraim, Manassés, Benjamin, Dã, Aser e Naftali, todos estes após a tribo de levi, que saía antes de todos levando a arca, guardando certa distância do restante do povo.

Creio que já temos concordância com quais acontecimentos de nossa rotina se assemelha esse momento da historia de Israel. Em camporis de campo, quando o número é resumido a poucos milhares, é possível observar uma verdadeira muvuca na chegada e uma preocupação e burburinho maior ainda na saída. Todos querendo sair cedo para chegarem cedo a seus lares. É comum ver que os acampamentos são agrupados por região e a saída também. Essa logística cresce em complexidade quando o evento é por União ou Divisão, quando até a posição dos nossos arraiais são dispostas pela possível ordem de saída. Muitos diretores não entendem isso e questionam os motivos de seu grupo ser o último a sair.
Estive diretor do Clube Arautos da Fé (São José do Jacuípe-BA) no III Campori da UNeB no ano de 2010 em Natal, e o então departamental, pastor Elmar Borges anunciou que os primeiros campos a ter permissão para deixar o local eram a Associação Bahia Sul e a Missão Nordeste. Naturalmente houveram questionamentos de muitos diretores que consideraram essa sequência um tanto sem lógica. O pastor explicou que o campo baiano sairia primeiro por ser o mais distante do local e a Missão Nordeste que apesar de ser o mais perto, era o que estava acampado próximo à saída do parque e que eles teriam uma debandada mais fácil e livre deixando o local primeiro.

Outro momento em que testemunhei nossos líderes adotarem o que passo a chamar de logística hebreia foi no último campori da USeB, em julho de 2016 na cidade de Ipatinga-MG. Eu estava acampado com os Portadores da História, da cidade Guarapari-ES e junto com Vinícius kumpel acompanhamos o diretor (nosso amigo e colega do site Mundo das Especialidades), Marcos Paulo Leitzke na reunião final dos diretores e chegamos em meio a um protesto dos diretores cariocas, que discordavam da sequência de saída que determinava que os clubes da Associação Mineira Norte e os que residiam nas bordas mais distantes das Associações Mineira Central e Leste seriam os primeiros a levantar acampamento e sair. O Pastor Deusdeth Soares Filho tomou a palavra e justificou que apesar de serem dentro do mesmo estado, alguns clubes moravam a mais de 1000 quilômetros de distância e isso era o que deveria ser levado em conta primeiro.

Deus é um Deus de ordem. Nós precisamos saber reconhecer que em nosso ministério tudo tem uma base bíblica ainda que não pareça, pois embora operações logísticas não tenham uma raiz completamente espiritual, tem o cerne totalmente organizacional e nós aprendemos em nossas formações a ter tudo feito com disciplina e coleguismo. Nossas decisões, por mais que sejam sobre coisas simples devem ser pautadas na ordem que Deus deseja de nós, inclusive a ordem de saída de nossos eventos.
“Tudo, porém, seja feito com ORDEM e decência”. I Coríntios 14:40


WHITE, Ellen G. Os escolhidos: Patriarcas e Profetas na Linguagem de Hoje. CPB. Tatuí, 2019

Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Conselheiro no Clube Arautos da Fé ABN/ULB