Quando as trombetas soamData de publicação: 02/04/2020

Quando as trombetas soam

“Deus é um Deus de ordem. Tudo o que está ligado ao céu está em perfeita ordem; estrita disciplina marca os movimentos de todos os anjos”. Os Escolhidos, Capítulo 33, página 228.

Israel havia passado muito tempo acampado ao pé do monte Sinai. Ali haviam experimentado santidade e apostasia. Deus  havia lhes dado a Lei talhada em tábuas de pedra e também as leis civis. O tabernáculo e todos os móveis e utensílios haviam sido concluídos; o povo sabia que até que chegassem em Canaã, seria preciso montar e desmontar as tendas em vários lugares. Alguns códigos de comunicação precisavam ser estabelecidos. Para esse fim, foram confeccionadas duas trombetas de prata usadas para convocar “a congregação e determinar a partida dos arraiais” (Números 10:2b).

Era necessário que os utensílios para chamar a atenção do povo fossem de grande volume, pois a comunicação exigia rapidez. Pela voz não seria possível e os tambores não soam tão alto à distância. Logo, o melhor seriam instrumentos de sopro e longo alcance. Imagine a dificuldade enorme que era reunir todo aquele povo no deserto!

As trombetas foram feitas para guia-los, alertar sobre acontecimentos e ajuntar o povo em um determinado local. Eram trombetas longas, com aproximadamente 60cm, bastante comuns no Egito no período de 1400-1300 a.C. “Algumas foram enterradas junto com o Faraó Tutancâmon (por volta de 1350 a.C)” (SBB, 2010).

O povo fora instruído a respeito do que cada toque significava e o que exatamente deveriam fazer ao ouvir as trombetas. Por exemplo, se as duas trombetas tocassem longamente e ao mesmo tempo, todo o povo deveria comparecer diante da tenda da congregação. Se fosse soada apenas uma das duas trombetas, somente os príncipes e chefes de mil deveriam se apresentar em reunião.

Quando as trombetas eram soadas a rebate ou retinindo, entendia-se que o exército estava saindo para lutar contra os povos opressores (Números 10:9), o que é comum nas estratégias militares até os dias de hoje. No entanto, quando se sabia que não haviam batalhas para serem travadas, o toque a rebate tinha outras funções. Ao soarem a rebate uma vez, todas as tribos acampadas a leste do tabernáculo deveriam levantar acampamento e partir. Ao tocarem a rebate pela segunda vez, as trombetas ordenavam que as tribos acampadas ao sul se retirassem (Números 10:5-6).

Além dessas ocasiões, as trombetas eram tocadas nas solenidades, festas religiosas, holocaustos e para anunciar o início de cada mês (Números 10:10). Neste mesmo verso, o Senhor diz a Moisés que as trombetas deveriam ser tocadas também nos dias de alegria do povo.

Se você passou sobre essa revisão bíblica em um trecho que talvez nem considere tão importante, com certeza está se perguntando o que um tema assim está fazendo nesta coluna. Espero que você tenha notado a semelhança entre os toques das trombetas e os nossos toques de apito. Por exemplo, sinal de reunião geral (semelhante aos nossos dois silvos longos e dois curtos), um longo e um curto para a refeição, um longo e dois curtos para reunir a ala masculina e um longo e três curtos para reunir a feminina. Aquelas duas trombetas de prata foram, possivelmente, as pedras fundamentais de nossa ordem unida.

Toda a nossa estrutura está ligada diretamente às escrituras. Nada que fazemos foge dos planos de Deus. Podemos encontrar bases bíblicas em qualquer parte de nossa filosofia e atuação – é claro, não estou falando do micro e você não espera que haja algum versículo apontando para a especialidade de quiling.

O povo estava no deserto, cercado por perigos e inimigos diversos. Era uma nação nômade, sem chão nem história. As condições em que viviam careciam de organização, leis e regras; Deus pensou em tudo! Não há como haver sucesso sem organização. A serva do Senhor diz, no livro Os Escolhidos, que: “o sucesso somente pode ser alcançado por meio de ações harmoniosas e bem ordenadas”. Deus exigiu isso dos nossos antepassados lá no deserto, consagrando aqueles que seriam responsáveis pelas trombetas (leia Números 19:8). Pode parecer um serviço simples, feito em poucas ocasiões, mas extremamente necessário.

Detalhes, por menores que sejam, são importantes em nosso ministério. Poderíamos tirar muitas lições espirituais dessas trombetas. Elas podem ser o chamado do Senhor ao serviço ou o ressoar que despertará os salvos. Mas ficaremos, por hora, com uma reflexão sobre a importância da organização. Tudo deve estar em seu devido lugar e deve ser feito com a mesma paixão; seja no palco ou nos bastidores. Lembre-se de que “Deus não exige menos de nós hoje do que exigiu do povo de Israel naqueles dias”. (Os Escolhidos, Capítulo 33, página 228.).

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Pablo Rios

Pablo Rios

Líder Máster Avançado de Desbravadores

São José do Jacuípe/BA

Conselheiro no Clube Arautos da Fé ABN/ULB