Grandes eventos são um desperdício?Data de publicação: 16/12/2020

Grandes eventos são um desperdício?

“A igreja não está agindo do jeito certo!”

“Onde já se viu? Quanto dinheiro desperdiçado na abertura desse campori?”

“Não precisamos de fogos de artifício, luzes e música alta num evento para desbravadores. O dinheiro deveria ser usado em evangelismo, não para fazer shows e espetáculos!”

“É um grande desrespeito, Deus não se apresenta com tanto barulho e efeitos especiais”.

 

Não sei dizer quantas vezes ouvi argumentos como esses sobre os eventos que já participei com o Clube de Desbravadores. Será que você já ouviu alguma vez? Quantas vezes foi você quem os falou?

Para começar com uma experiência pessoal, posso mencionar um grande campori em que participei, na qual pude ver uma surpreendente queima de fogos, uma bandeira imensa, programações com muita música com cantores e músicos muito conhecidos, grandes fogueiras, cavalgadas, um palco bastante interativo e belíssimas programações que incluíram investiduras, apelos e batismos.

Eu era diretor associado na época e me lembro muito bem dos vários pares de olhos brilhando com aqueles espetáculos e bocas abertas ao presenciar as cerimônias. Num dos apelos para que os desbravadores aceitassem a Jesus como seu salvador, eu fui praticamente arrastado por 3 desbravadores do meu clube que insistiram veementemente que eu os acompanhasse até o centro da arena, onde outros 2 do mesmo clube já esperavam por mim, em meio a milhares de participantes de outros clubes. Antes que aquele ano acabasse, pude dar estudos bíblicos para 2 desbravadores e vê-los aceitando a Cristo com as águas do batismo. Alguns anos depois, um membro deste clube se formou em teologia como resposta a outro apelo feito no mesmo evento.

Mas ao voltar para casa, mesmo notando um imenso aumento de interesse dos adolescentes e jovens pelo clube e pela igreja, além dos resultados dos apelos que mencionei acima e as lembranças que já duram vários anos nas mentes de milhares de pessoas, tive contato com todas as frases de críticos que mencionei no início deste texto. Não pude evitar revirar os olhos e me queixar de que eles não estavam sendo coerentes, mas com alguma paciência pude apresentar alguns contra-argumentos, que também apresentarei a seguir:

Em primeiro lugar, quem foi que disse que investir dinheiro no Clube de Desbravadores é desperdício e/ou que não se trata de evangelismo, se o que vemos constantemente nas estatísticas da IASD é que este é um dos principais departamentos na quantidade de batismos, na formação de líderes e no surgimento de novas congregações e igrejas? Soma-se a isso o fato de que a porcentagem de desbravadores que vem a se afastar de Cristo é bem próxima a zero.

Muitos dos participantes destes grandes eventos não são cristãos ou se converteram há pouco tempo, e estão acostumados a shows e espetáculos seculares, talvez até profanos. Quando eles participam de um espetáculo diferente, especial, em que a ênfase está em bons princípios morais e podem associar tudo o que veem a um Deus real, pessoal e verdadeiramente impactante, os frutos deste encontro são duradouros e ajudam a quebrar barreiras e preconceitos.

Também não posso deixar de notar que grande parte das pessoas que falam que é um desperdício “gastar dinheiro “ com os desbravadores são precisamente aqueles que não fizeram parte desse ministério, ou que tiveram alguma experiência infeliz em algum momento e decidiram culpar todo o ministério. São pessoas que não conhecem o poder transformador que o Espírito Santo tem operado em milhares de milhares de jovens e adolescentes através do Clube.

Me pergunto se esses críticos teriam alguma função ou projeto relacionados à essa mesma faixa etária e a executam com maior eficácia. Não é incomum ouvir da parte dos adolescentes que muitos dos líderes da igreja não os compreendem, não falam aos seus corações ou, resumidamente: “são chatos”.

Normalmente, não concordo com essa declaração (“são chatos”), mas devo admitir que são esses “chatos” que impedem o serviço daqueles outros, os que realmente “falam a língua dos jovens”. Não quero me estender na discussão sobre o duelo de gerações, apenas apelo para que se você não entende os mais jovens, por favor não tente impedir o trabalho daqueles que os entendem e gostam do que fazem. Preste atenção aos resultados.

Por fim, não posso deixar de me lembrar de um dos maiores espetáculos que a humanidade já presenciou, em que não havia fogos de artifício e gelo seco, mas uma montanha inteira em chamas com tanta fumaça como uma fornalha. Não somente som alto e comunicadores falando frases marcantes ao microfone, mas relâmpagos, trovões, poderosos sons de trombetas e o chão todo tremendo por quilômetros. Alguns milhões de pessoas assistiram extasiados, com temor e tremor à grande manifestação da glória de Deus no monte Sinai, pouco antes de Ele lhes entregar por escrito a Sua imutável e perfeita Lei. E foi o próprio Deus todo-poderoso quem organizou todo o evento.

Na ocasião, Deus impressionou seu povo com um grande espetáculo, mostrando claramente que “só o Senhor é Deus em cima no Céu e embaixo na Terra; não há nenhum outro deus” (Dt 4:39). Hoje, muitas mentes inquietas e super-estimuladas, porém igualmente super-amadas, tem a oportunidade de ser impressionadas com um Deus real e pessoal, capaz de acolher todos os que O buscam. Em todos os camporis que já participei, menores ou maiores, é exatamente isso o que tenho observado. Amém!

Maranata!!!

Vinícius Kümpel

Vinícius Kümpel

Líder Máster Avançado de Desbravadores

Maringá/PR

Regional ANP/USB